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O peso da demanda política para determinar as restrições do projeto

1 Mar

Ao iniciar qualquer projeto, duas coisas não podem faltar: identificação das restrições e das premissas que envolvem o projeto. Hoje quero falar um pouco sobre a influência da demanda política sobre as restrições que envolvem o projeto.

Como gerente de projetos, nós temos muito com que se preocupar. Muitas dessas preocupações envolvem produtividade e motivação da equipe, monitoramento de riscos, cumprimento de escopo, gerenciamento de expectativa dos envolvidos, entre outras. Claro que cada projeto tem uma história particular e, conseqüentemente, o gerente de projetos tem que ser suficientemente perspicaz em concentrar seus esforços naquilo que impactará nos objetivos do projeto.

http://sobraldeprima.blogspot.com/2011/02/numero-de-vereadores-pra-se-fazer.htmlMas tem algo que venho aprendendo ao longo do tempo, principalmente quando projetos são demandados pelo ocupante do cargo de nível mais alto da empresa. Lembro que, muitas vezes esses projetos nada têm haver com Portfólio ou não estão alinhados estrategicamente com a organização. Você deve estar se perguntando: isso é possível? Como ter um projeto que não está alinhado ao plano estratégico da empresa? A referência aqui são para aqueles projetos que nascem das necessidades políticas internas.

Bom, quero relembrar um conceito importante sobre projetos: para que existe um projeto?

Veja o que diz Guia PMBOK 4ª ed., “os projetos são freqüentemente utilizados como meio de atingir o plano estratégico de uma organização.” Ainda de acordo com o Guia, “os projetos, em programas ou portfólios, são um meio de atingir metas e objetivos organizacionais, geralmente no contexto de um planejamento estratégico.”

Esses conceitos apresentados pelo respeitado Guia, nos leva a acreditar que os executivos das organizações têm o conhecimento pleno do rumo estratégico que a empresa deveria seguir. Mas, infelizmente, isso não é a regra.

Pensemos agora em uma organização que elege ou indica seu executivo (por ex., o presidente) a cada período ou mandato. Será se ele tem o conhecimento pleno do portfólio de projetos da organização, ou ainda, ele tem informações suficientes para selecionar quais os projetos devem fazer parte desse portfólio? Tente associar essa situação a uma organização pública.

Se a função do executivo da empresa é meramente de uma figura política, que está vinculado aos interesses de 3ºs, suas decisões não serão exclusivamente estratégicas, mas estratégicas e políticas. E isso não poderia ser diferente.

O Ph.D. Harold Kezner cita algo que ilustra bem o que tento passar para você: “as decisões no gerenciamento de portfólio freqüentemente são confundidas por diversos fatores comportamentais ou organizacionais (…). Muitos dados e informações para avaliação de projetos têm, necessariamente, uma natureza subjetiva.”

E as restrições, o que tem haver com isso?

Tudo! Vamos àquelas mais conhecidas: escopo, tempo, custo e qualidade. Lembro que há outras restrições que podem ser identificadas e que ampliam este grupo, ok?

A restrição tempo, por exemplo, pode mudar conforme a perspectiva política que comanda a empresa naquele momento. Se um determinado projeto que estava no fim da fila do portfólio, tornou-se de grande importância para a nova gestão, conseqüentemente, ele irá ter seu tempo de desenvolvimento afetado. A importância política do projeto poderá determinar a manutenção dos gestores em seus cargos. Senão cumprir o prazo político determinado, mudanças irão ocorrer. (E alguém quer perder espaço ou poder?)

Estar “antenado” com essas mudanças também é função do gerente de projetos. É fundamental que, além de habilidades gerenciais, ele possua a capacidade de realizar a correta leitura do ambiente organizacional que o envolve.http://vendasoportunidade.blogspot.com/2010/11/o-lider-que-deus-usa.html

Lembre-se: decorrente de uma nova postura política que comanda a organização, até mesmo o escopo de um projeto em andamento poderá ser afetado. Ter a capacidade de adaptação e gerenciar mudanças é algo de extrema relevância para o gerente de projetos.

A autora Rita Malcahy apresenta que “as restrições do projeto são prazo, custo, risco, escopo e qualquer outro fator que limite as opções.” Lembrar disso é ponto chave para o bom andamento do projeto.

Muitas vezes ficamos indignados com a restrição de prazo que nos é passado para concluir algum projeto. Ou estou falando alguma besteira? Se o gerente de projetos não atua em nível estratégico, sendo ele operacional, as restrições políticas, que afetam o projeto, ficam mais difíceis de se compreender.

E como disse anteriormente, antes mesmo de nos indignarmos e incitarmos uma revolução, é necessário entender o cenário político. Nem sempre a decisão política é a mais adequada, mas é aquela possível. E, se você não tem capacidade de mudar os rumos de uma decisão política, então exerça sua profissão com garra e determinação. Os bons Gerentes de Projetos que conheci “gastam tempo” planejando. Quando o planejamento do projeto é bem feito, torna-se uma arma poderosa para influenciar pessoas. E você pode influenciar pessoas!

É isso, espero que tenha gostado! Até a próxima!

Imagem 1: http://sobraldeprima.blogspot.com/2011/02/numero-de-vereadores-pra-se-fazer.html

Imagem 2: http://vendasoportunidade.blogspot.com/2010/11/o-lider-que-deus-usa.html

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