Tag Archives: Certificação Ágil

Ei, Gerentes de Projetos e Analistas de Negócio! Qual o futuro de vocês?

19 Maio

Se no post “PMO. O que eu tenho haver com isso?” eu comentei que o tema “escritório de projetos” era algo que em determinadas situações eu não gostava de discutir, o assunto de hoje já me traz muita motivação.  Não sei se o ensejo para tanta motivação gira em torno das áreas de tecnologias (re)inventarem profissões a cada nova onda ou se o estímulo vem da minha própria necessidade de sobrevivência.

Enfim, o fato é que ao acompanhar o mercado de empregos, as necessidades de clientes, as demandas de cursos e das minhas próprias necessidades,  percebi o quanto as habilidades e técnicas de algumas profissões podem ser realizadas por um mesmo profissional.

Recentemente, recebi um e-mail, de uma importante autora americana ligada à área de gerenciamento de projetos, oferecendo cursos de aperfeiçoamento profissional. Entre os cursos estava um que me chamou a atenção, chamava-se: “Project Manager or Business Analyst: Who Am I?”

A oferta deste curso foi o estímulo necessário para compartilhar com você alguns pontos de vista a respeito “de quem sou eu”…

  • Um dado rápido: nas décadas de 80 e 90 havia uma figura muito importante chamada de Analista de Sistemas. Este profissional era o responsável por levantar e modelar sistemas baseados em regras de negócios. Havia também o programador, o cara que só codificava e era movido a escrever códigos. Logo, o mercado percebeu que muitos profissionais que modelavam sistemas também programavam e, até,  gostavam disso. Logo veio a demanda do PROGRAMALISTA. Se você é profissional de TI, com certeza irá se lembrar disso. Era O famoso dois em um a preço de um (que persiste até hoje).

E quanto a nós (gerentes de projetos) e aos Analistas de Negócio? Continuaremos a ser dois profissionais distintos ?

Será possível que um profissional desenvolva habilidades comuns aos dois perfis e se dê bem com isso?

(é verdade que são questões não muito fáceis de serem respondida…e eu não tenho a soberba de achar que tenho a resposta.)

Mas vou compartilhar com vocês o que pensei: como para os GP’s tem o guia PMBOK, os Analistas de Negócio tem o guia BABOK. Ambos são padrões reconhecidos internacionalmente que descrevem áreas de conhecimentos, atividades, tarefas e as habilidades necessárias para se tornarem profissionais de GP ou de Análise de Negócio.

A respeito, o Guia BABOK define a Análise de Negócios como sendo um “conjunto de atividades e técnicas utilizadas para servir como ligação entre as partes interessadas, no intuito de compreender a estrutura, políticas e operações de uma organização e para recomendar soluções que permitam a organização alcançar suas metas”.

Ainda neste Guia é citado que o Analista de Negócios é “o responsável por desvendar as verdadeiras necessidades das partes interessadas, não simplesmente seus desejos explícitos. Em muitos casos, o analista de negócios irá trabalhar também para facilitar a comunicação entre unidades organizacionais”.  Lembro que é atribuição básica do gerente de projetos a atividade de comunicação.

De acordo com Guia BABOK qualquer um pode ser Analista de Negócios, desde que execute as tarefas descritas no Guia.

Então calma! Este ponto é  importante: se qualquer um pode executar as tarefas do Analista, então o Gerente de Projetos não poderia desenvolver alguma atividade deste profissional?  Ou melhor, ele já não desenvolve algumas tarefas do escopo do analista?

Se formos simplistas e pragmáticos, colocaremos cada “macaco em seu galho”. Não misturaremos as coisas, certo?

Mas, FELIZMENTE, a área de TI não nos permite ser assim. Seria um retrocesso ir de encontro com a própria inovação que permeia a tecnologia da informação  e a demanda do mercado.

O que quero chamar atenção é que já existe (e isso é bem real) a necessidade do gerente de projetos saber mais do que “apenas” gerenciar projetos. É necessário que ele entenda do negócio, que construa a solução em conjunto com os demais analistas e engenheiros do projeto. O gerente de projetos moderno não se limita a planejar e monitorar o projeto, ele ajuda a entender os requisitos e as necessidades do negócio.

Sim! É neste ponto que vejo que as coisas podem se misturar.  O Gerente de Projetos e o Analista de Negócios podem ser a mesma pessoa. Até vejo que é bem mais fácil o Gerente de Projetos integrar as habilidades do Analista do que o contrário, mas de qualquer forma, os papéis podem se misturar…

Não resista!

As metodologias ágeis já sugerem isso. O gerente do projeto é mais um papel dentro da equipe e ele tem a responsabilidade de propor a melhor solução e a melhor maneira de fazer essa solução. A ideia do CHEFE da equipe, a meu ver, é ultrapassada.

Só para fechar, os profissionais que tiveram a visão de programar e fazer análise permaneceram no mercado por mais tempo. Os profissionais de gerenciamento de projetos e de análise de negócios que querem ter a empregabilidade em alta também devem abrir seus horizontes e agregar valor ao seu portfólio de conhecimentos e habilidades. E, para isso, nada como agregar competências!

É isso! Abraços e até a próxima!

O PMI agora é ágil: certificação PMI Agile!

18 Mar

Ao anunciar que vai promover a Certificação com Práticas Ágeis de Gerenciamento de Projetos, o PMI (instituto de gerenciamento de projetos) causou um verdadeiro rebuliço junto aos profissionais da área, especialmente naqueles que possuem alguma certificação vinculada à instituição. E como em toda ação, essa também possui reflexos positivos e negativos. As dúvidas que pairam no ar fazem esquentar essa discussão. Neste post abordarei algumas dessas dúvidas e esclarecerei o que será esta certificação.

No arquivo disponibilizado pelo PMI há alguns pontos que me chamaram a atenção e gostaria de compartilhá-los:

  • Definição do que é ágil: para se definir práticas ágeis o PMI utilizou a comparação com as práticas de desenvolvimento em cascata (Waterfall) – aquela no qual uma fase é pré-requisito para outra e o cliente tem pouca participação no processo de desenvolvimento.

Ágil foi definido como uma filosofia que utiliza modelos organizacionais baseados em pessoas, colaborações e compartilhamento de valores.

Importante!

O PMI associa o desenvolvimento ágil como sendo baseado em planejamento por ondas sucessivas. Algo que o guia PMBOK destaca, mas não aprofunda.

Dúvida nº 1: Então, seria o Guia PMBOK também utilizável para desenvolvimento ágil?

  • Sim. Como um guia ele indica as práticas de gerenciamento de projetos que podem ser adequadas à realidade do manifesto ágil.

O material também realça a questão do desenvolvimento iterativo, com entregas incrementais, rápido e flexível a responder às mudanças, e aberto a comunicação entre equipes, interessados no projeto e clientes.

Bom, até aí tudo conforme o manifesto ágil prega.

Ah! O PMI até cita as metodologias (se assim podem ser chamadas) como SCRUM, XP e TDD. Novos tempos…

Dúvida nº 2: Metodologias Ágeis concorrem com o guia do PMI para gerenciamento de projetos?

  • Não. No meu ver, uma complementa a outra. Dependerá da realidade do seu projeto. Ele tem requisitos instáveis? É possível definir as fases de desenvolvimento de forma que atenda as demandas prioritárias? A equipe é pequena e está localizada em um mesmo ambiente?
  • Práticas Ágeis são definidas como sendo atividades que aplicam os princípios ágeis.
  • Princípios Ágeis são apresentados como “verdades fundamentais e valores compartilhados que orientam o comportamento nas metodologias ágeis”.
  • O que é um projeto ágil?

É um projeto que é gerenciado usando princípios e práticas ágeis.  (fonte PMI)

  • Suas características:

a)      Entregas ao longo do desenvolvimento, de forma a mensurar o investimento cada vez mais cedo. Entregas interativas do produto.

b)      Alta visibilidade do progresso do projeto.

c)       Envolvimento contínuo do cliente durante todo o desenvolvimento do produto.

d)      Poder ao proprietário para tomar decisões sobre o projeto.

e)      Melhor gerenciamento de requisitos. (Melhor adaptação à mudança)

f)       Redução de resíduos do processo e do produto. (MUITO BOM!!!)

Dúvida nº 3: O Guia PMBOK , quando utilizado em sua essência, não teria tais características?

  • O Guia PMBOK é um cardápio de opções. Você o utiliza conforme o projeto e a cultura da organização. Quando misturam conceitos de engenharia com de gestão a coisa pode se complicar, mas o guia PMBOK pode ter tais características.

O valor da certificação ágil (destaque para o profissional), segundo o PMI, para:

a)      Demonstrar ao “mercado” o nível de profissionalismo nas práticas ágeis na gestão de projeto;

b)      Aumentar sua versatilidade profissional em ferramentas de gerenciamento de projetos e técnicas.

c) Mostrar que se tem a capacidade de liderar equipes básicas de projetos ágeis, garantido por uma certificação que possua maior credibilidade do que as ofertas existentes com base apenas em provas ou treinamento.

Dúvida nº 5: Como o PMI irá transformar um manifesto em algo padronizado e de consenso como o Guia PMBOK?

  • Essa questão é a melhor. Não tenho ideia!

Dúvida nº 6: A certificação PMP é algo que segue um padrão consolidado. O que fará a certificação PMI Ágil ser diferente da SCRUM MASTER, por exemplo?

  • O PMI vai colocar sua credibilidade na certificação. Os requisitos de elegibilidade já falam por si só. A única questão é que a SCRUM MASTER tem como base o SCRUM, que é diferente do XP (extremming programming) . O que será utilizado pelo PMI?

Minhas considerações:

Ter uma nova certificação PMI, voltada para as práticas ágeis é benvinda, e disso não há como negar. O meu questionamento maior está em torno do posicionamento do mercado em relação aos profissionais PMP, CAPM e os “Ágeis”.

Seremos, nós PMP’s, rotulados como burocráticos?

Particularmente, vejo que é um risco que se está correndo.  Não gosto muito da ideia de começar a defender algo, criando justificativas, com base em comparações com práticas que não servem para todas as indústrias. O Guia PMBOK se propõe a ser utilizado para todas as indústrias, inclusive as de serviços.

Seria, então, a certificação ágil somente para o desenvolvimento de novos produtos?

No material disponibilizado pelo PMI, observei que a palavra “serviço” não é citada. A própria comparação entre modelos iterativos e incrementais com o modelo em cascata já sugere o desenvolvimento de produtos.

No entanto, o PMI diz que as duas certificações (ágil e PMP) têm objetivos distintos. De acordo com o instituto, a certificação ágil está voltada para “validar a capacidade de um profissional compreender os princípios e práticas ágeis.” Já a certificação PMP tem seu foco voltado para reconhecer a competência na liderança e gestão de equipes de projetos.

Para mim essa distinção não é esclarecedora e até surpreende!

Enfim, acredito que a discussão seja valida e vai durar por algum tempo, ao menos até que a certificação piloto seja lançada oficialmente.

No mais, vejo como EXCELENTE que o PMI tenha se posicionado a respeito do manifesto ágil. Ao invés de criticá-lo, o PMI verificou na prática (por meio do seu grupo de estudo) que os princípios e práticas ágeis funcionam.  Algo que o mercado já vem constatando.

O PMI não pode perder o bonde da história e ficar na janela criticando e defendendo um único modelo. A nova certificação agrega valor ao seu portfólio de certificações.  Utilizo há algum tempo o SCRUM com PMBOK e o resultado é excelente.  No entanto, neste caso, ser simplista em achar que as práticas ágeis cabem em qualquer situação seria o primeiro passo para o abismo.

Requisitos para Certificação:

Requisitos de Elegibilidade Descrição
Nível de Escolaridade Formal secundário ou superior
Experiência em Gerenciamento de Projetos 2000 horas de trabalho em equipes de projetos (últimos 5 anos).Se você for PMP não precisará demonstrar novamente.
Experiência em Gerenciamento de Projetos Ágeis 1.500 horas de trabalho em equipes de projetos ágeis ou em metodologias ágeis. Estas horas são adicionais às 2000 de experiência em Gerenciamento de Projetos. Ou seja, 1500 + 2000 = 3500 horas

Elas devem ter sido adquiridas nos últimos 2 anos.

Treinamento em Gerenciamento de Projetos Ágeis 21 horas. O treinamento deve ter necessariamente tópicos de metodologias ágeis.
Exame Teste dos fundamentos Ágeis e habilidade para aplicar em projetos
Manutenção da Certificação 30 PDUs / 3 CEUs a cada três anos em gerenciamento de projetos ágeis.Importante: essas horas contam como requisitos para as duas certificações.

 

O PMI disponibilizou alguns marcos para a certificação, que valem ser conferidas:

    • Quando o conteúdo para a certificação estará disponível?

    O esboço de conteúdo estará disponível em Abril de 2011.-

    • Quando vão começar a ser aceitos os pedidos pelo PMI para a nova certificação?

    Maio de 2010.

    • Quando é que o exame de Certificação PMI Agile será oferecido pela primeira vez?

    A primeira oferta será durante o terceiro trimestre de 2011.

    Até a próxima!

    %d bloggers like this: