A oportunidade pode ser única: vá de Paralelismo (fast tracking)!

17 Nov

Sempre que estou prestes a concluir algum projeto gosto de analisar as principais ações adotadas em seu planejamento e execução para avaliar os resultados efetivamente entregues. Desta vez, construirei essa análise com vocês, aqui neste novo post!

Na publicação passada, quando abordei sobre a Eficácia e Eficiência no Gerenciamento de Projetos (clique para ver), procurei enfatizar a necessidade de concentrar esforços em fazer com que o projeto atendesse não só aos requisitos “burocráticos”, mas, principalmente, àqueles que permeassem a qualidade, expectativas e aprendizado.

Ainda influenciado pelos meus vagos pensamentos deste último post, eu comecei a conjecturar sobre um novo projeto que entra em sua Fase de Encerramento. A proposta do projeto está em desenvolver uma Ferramenta de Gestão de Atendimento ao Cliente. Este projeto não chega a possuir alta complexidade de implementação de suas funcionalidades. Entretanto, tivemos (Equipe do Projeto) que fazer uso de algumas técnicas de GP bem interessantes como, por exemplo, o Paralelismo de algumas atividades da Fase de Execução.

Se a análise deste projeto partisse do proposto de [eficácia + eficiência = efetividade] seria ideal envolver as pessoas que demandaram e ajudaram a construir o projeto.  Não que isto não seja importante, ao contrário: é muito importante!!! No entanto, vou restringir, ao menos por enquanto, à análise do uso da técnica do Paralelismo neste projeto.

Pra começar, recorri ao Guia PMBOK v4 para buscar a definição do que seria a técnica do Paralelismo:

“Uma técnica específica para compressão do cronograma de um projeto que altera a lógica de rede sobrepondo algumas fases que normalmente seriam realizadas em sequência, como a fase de projeto e a fase de construção, ou para realizar atividades do cronograma em paralelo.”

Essa definição não poderia ser melhor!

A história do nosso projeto é bastante simples: as fases de iniciação e planejamento do projeto não foram sobrepostas, ou seja, seguiram bem a metodologia proposta pela empresa. Mas, as Iterações foram reorganizadas de forma a serem paralelizadas. Ao invés de se concluir uma Iteração para então iniciar a próxima, optamos por implementar várias Iterações no mesmo período, mas que seriam complementares entre si.

E por que disso?! PRAZO! PRAZO!! PRAZO!!!

A compressão do cronograma é uma técnica de “redução da duração do cronograma do projeto sem reduzir o seu escopo“.

Lembro que reduzir escopo para alcançar a restrição de prazo nem sempre é uma boa opção: o cliente não vê com bons olhos ter suas necessidades do projeto minimizadas. Ele se sente impotente e, com isso, acaba se afastando do projeto. Em casos assim, é comum utilizar algumas técnicas de Compressão do Cronograma, como a técnica do Paralelismo!

Para que você possa entender melhor o contexto do projeto, nós utilizamos a metodologia da empresa (ativo organizacional) de Gerenciamento de Projetos e Engenharia de Software, a qual estava embasada no Manifesto Ágil. O conceito de ciclos era algo bem forte na metodologia. E para iniciar um próximo ciclo, necessariamente, o anterior deveria estar homologado pelo cliente.

A imagem 1 a seguir demonstra como o projeto foi inicialmente planejado, sem considerar a sobreposição de tarefas:

Imagem 1: execução do projeto de forma linear.

Facilmente, pelo Gráfico de Gantt, podemos constatar as Iterações encadeadas. O Software seria construído de forma incremental. Outra observação que faço está relacionada ao caminho crítico destacado em amarelo, veja como ele foi alterado na imagem abaixo.

Já a imagem 2 demonstra o uso do Paralelismo no projeto para os ciclos de 1 a 5:

Imagem 2: execução do projeto utilizando Paralelismo.

Com essas duas imagens pode-se comparar o quanto o cronograma é modificado e, principalmente, como o caminho crítico é afetado quando utilizamos alguma técnica de compressão do cronograma.

A primeira coisa que me vem à cabeça, quando utilizo a técnica de Compressão do Cronograma, está relacionada à precariedade em seu uso quando temos uma iteração (ciclo) sendo utilizado como insumo para a implementação do próximo ciclo:

1 – A integração do sistema ficou altamente empobrecida. O que gerou dificuldade de compreensão do fluxo de funcionamento do sistema como um todo;

2 – Geração de retrabalho decorrente da integração dos ciclos;

3 – Sensível incremento nos custos do projeto. A linearidade do projeto se perdeu. Novos recursos humanos tiveram que ser adicionados ao projeto para permitir a execução de atividades em paralelo.

4 – As estimativas de duração das atividades foram impactadas, pela falta do insumo para planejamento do próximo ciclo;

5 – Sobrecarga de trabalho para alguns perfis da equipe;

A sobrecarga de alguns perfis como Analista de Testes e o Designer de Interface, se justifica, já que, tiveram que se dividir entre uma e outra iteração. De certa forma, isto os pressionou e comprometeu seus desempenhos. Não havia disponibilidade de contratação ou alocação de outros recursos com este perfil para o projeto.

O versionamento de documentos, a gestão de atividades e priorização ficou dificultada. Muitas vezes, havia necessidade de parar o projeto para sanar dúvidas que deveriam ser respondidas na Homologação de Cada Ciclo desenvolvido anteriormente – lembro que um ciclo serve de insumo para outro.

Naturalmente, o Paralelismo implica em riscos de integração. Quando se utiliza o desenvolvimento simultâneo de ciclos, a integração deve ser muito bem planejada e o custo disso deve ser previamente aprovado. Nem sempre é fácil prever a variação dos custos do projeto quando se utiliza a Compressão do Cronograma!

E o cliente, como fica nesta situação?

É neste ponto que devemos verificar o Custo x Benefício do uso desta técnica de Compressão do Cronograma. O que será escrito aqui não pode ser tratado como regra para todos os projetos, até porque os projetos não são iguais, ok?

O custo do projeto, apesar de ter evoluído, não era algo determinante para continuar ou não o projeto. Basicamente, o esforço de custo estava em alocação de recursos humanos para o projeto. E este custo já estava pago. Se a equipe não fosse alocada para este projeto estaria em outro mais prioritário. Sobre contratos hora homem no serviço público brasileiro, eu publiquei o post que trata deste tema – IN 1 – Procedimentos para o desenvolvimento, disponibilização e uso do Software Público Brasileiro.

No entanto, o cliente enxergou no projeto uma oportunidade de alavancar seu setor de atendimento ao cliente, que até então era precário. Ou seja: o projeto fazia parte de uma estratégia organizacional maior!

Nestes casos, a Gerência do Projeto deve entrar em ação!

Quando se usa o Paralelismo, o cliente tem que está bem mais envolvido do que o normal. É também essencial que o Cliente esteja ciente dos riscos envolvidos nesta operação. Ele deve ser parceiro do projeto!

Para gerenciar as expectativas do cliente, o Gerente de Projetos deve dar autonomia a equipe técnica para resolver questões de implementação e, principalmente, necessita mantê-lo informado da relação de evolução do Escopo x Tempo x Custo. A análise de valor agregado é fundamental para que o cliente veja o quanto a decisão de antecipar o prazo custou ao projeto!

Lembro que a oportunidade para realizar o projeto era única, já que, havia recursos disponíveis, patrocínio e vontade política!

No entanto, mesmo com os entraves apresentados acima, seria o Paralelismo o fim dos tempos no Gerenciamento de Projetos?!

Não! De forma alguma!

Tente enxergá-lo como uma oportunidade. Explico:

Propiciar aos clientes da empresa um atendimento mais qualificado  é algo que deve ser visto como investimento e não custo. O prazo deveria ser atendido, já que a vontade política para realizar o projeto passava por essa restrição. Em qualquer projeto, não se pode perder o patrocínio, ainda mais quando voltado para órgão público.

Neste caso, a Técnica de Compressão do Cronograma baseada no Paralelismo é muito importante.

Aí convenhamos: mesmo com todas as dificuldades no Gerenciamento do Projeto e nos eventuais fracassos obtidos em relação a isso, sob a ótica do cliente o projeto atendeu as expectativas técnicas e negociais, já que cumpriu com seu escopo e com os objetivos políticos determinados para ele.

Veja o porquê do dilema de Eficácia e Eficiência continuou a ventilar os meus pensamentos…

É isso! Continue visitando o blog!

Até a próxima!

P.S.: este blog concorre ao TOP BLOG 2011. Não se esqueça de apoiar!

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3 Respostas to “A oportunidade pode ser única: vá de Paralelismo (fast tracking)!”

  1. Renato 13 Dezembro , 2013 às 15:49 #

    É isso ai Marcelo, é importantissimo a utlização da tecnica de paralelismo e CPM mesmo quando não existe o fator prazo, mostra onde pode haver o remanejamento de perfil temporario e folga livre ou msm total. Interessante sua experiencia.

  2. José Franco 15 Maio , 2014 às 11:08 #

    Fala Marcelo! Tudo bem?
    Cara, hoje sou um Desenvolvedor .Net Pleno.
    Porem, quero ir para gerenciamento.
    Recentemente, no fim de 2013, tirei a certificação CSM.
    Mas mesmo assim, ainda não rolou uma oportunidade qualquer.. Nem ao menos de entrevista rs.

    Sou um cara cheio de ideias, e vejo muita coisa a melhorar.
    Tipo motivação. Eis algo que preso muito. Estudo técnicas de Auto motivação, motivação de equipe e etc.
    Foco também.

    Oque me sugere para conseguir entrar no setor de vez?

    br.linkedin.com/in/josefrancocorrea

    • Marcelo Liberato 21 Maio , 2014 às 18:31 #

      Olá José!
      Tudo tranquilo e com você?
      Então, essa é uma pergunta difícil de ser respondida: por que pra uns dá certo e pra mim não?
      Como não sou expert em RH, apenas emitirei opinião como colega teu de profissão.
      Penso que você já é um cara que tem boa caminhada como desenvolvedor e, por isso, o mercado o veja dessa forma: desenvolvedor. Muitas vezes, a certificação/especialização de GP/Scrum por si só não seja suficiente. Talvez investir na certificação PMI-ACP ou, até mesmo, na PMI-CAPM seja uma boa. Acredito muito nesta última pra quem está começando. Agora se você quiser ser mais arrojado, que tal a certificação PRINCE2 Foundation (há uma excelente perspectiva para o PRINCE2 no Brasil!).
      Além disso, que tal desenvolver suas habilidades de motivação, liderança, organização e inovação sendo um líder técnico de uma equipe ou de algum projeto? Veja que você poderá aliar seu conhecimento atual com suas novas perspectivas e, assim, ganhar bagagem para um voo maior. Ah: continue sempre estudando!
      Abraços!

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